segunda-feira, 11 de julho de 2022

ò clara

brava companheira que jamais

ao meu lado temeste precipícios

ou sombras là no fundo dos teus mares

que navio irrompe do teu sexo  vindo

dos confins da oceânica noite 

com marinheiros de todas as raças

trepados nos mastros ?
 

tu e eu devíamos simplesmente amar - nos

amor quantos caminhos para chegar a um beijo

que solidão errante atè chegar a ti !

os comboios continuam vazios rolando a chuva

em Taltal a primavera não amanheceu ainda

mas tu e eu meu amor estamos juntos

juntos da roupa às raìzes

juntos pelo outono

pela água pelas ancas

atè sermos apenas tu e eu

juntos


pensar que custou tantas pedras a embocadura

da água de Boro

pensar que separados por comboios e nações


tu e eu devíamos simplesmente amar - nos 

com todos confundidos com homens e mulheres


com a terra que implanta e educa os cravos
 

a infinita

vês estas mãos ? mediram a terra

separaram os minerais e os cereais

fizeram paz e a guerra derrubaram

as distâncias de todos os mares e os

 rios e no entanto quando te percorrem

a ti pequena grão de trigo calhandra

não conseguem abarcar - te fatigam

ao agarrar as pombas gémeas que repousam

ou voam no teu peito percorrem a distância

das tuas pernas enrolam -se  na luz da tua cintura


para mim tu ès tesouro  mais rico de imensidade

do que o mar e os seus cachos e ès branca e azul


e extensa como a terra nas vindimas neste território

 desde os pès à fronte andando passará a vida


 

somos casamento da noite com o sangue

meu amor ao fechar esta porta nocturna

peço -te amor uma viagem  por um escuro

recinto fecha os teus sonhos entra com 

o teu céu nos meus olhos estende - te

no meu sangue como num lago rio adeus

cruel claridade que foi caindo no saco de

cada dia do passado adeus a cada raio do

 relógio ou laranja salve a sombra intermitente

 companheira !

nesta nau ou água ou morte ou uma nova vida


uma vez mais unidos ressuscitados

somos o casamento da noite com 


o sangue não sei quem vive ou morre

quem repousa ou desperta


mas è o teu coração que distribui

no meu peito os dons da aurora 

 

em cada dia

morre um homem em mim

em cada dia nasce um homem

em mim sò o itinerário è o mesmo

e isso decerto basta e eu tenho

 saudades dos homens que fui

e anseio espero pelos homens que

serei dia após dia me renovo sigo

em frente meus olhos de ontem


não  são os mesmos de hoje um mundo morre

outro mundo nasce em cada dia sò o itinerário


è o mesmo isso decerto basta
 

não haja

galos a anunciar - te

nem ladrem cães pelas

esquinas não haja bandeiras

somente uma estrela no fundo

de mim e um vento macio


nas ruas
 

não seja noite

nem dia a hora que vieres

somente haja silêncio 

nas cidade morta e suave

me toques e beijes na fronte

para que sò eu saiba que ès

chegada
 

ò clara

brava companheira que jamais ao meu lado temeste precipícios ou sombras là no fundo dos teus mares que navio irrompe do teu sexo  vindo dos ...