ao meu lado temeste precipícios
ou sombras là no fundo dos teus mares
que navio irrompe do teu sexo vindo
dos confins da oceânica noite
com marinheiros de todas as raças
trepados nos mastros ?
ao meu lado temeste precipícios
ou sombras là no fundo dos teus mares
que navio irrompe do teu sexo vindo
dos confins da oceânica noite
com marinheiros de todas as raças
trepados nos mastros ?
que solidão errante atè chegar a ti !
os comboios continuam vazios rolando a chuva
em Taltal a primavera não amanheceu ainda
mas tu e eu meu amor estamos juntos
juntos da roupa às raìzes
juntos pelo outono
pela água pelas ancas
atè sermos apenas tu e eu
juntos
pensar que custou tantas pedras a embocadura
da água de Boro
pensar que separados por comboios e nações
tu e eu devíamos simplesmente amar - nos
com todos confundidos com homens e mulheres
com a terra que implanta e educa os cravos
separaram os minerais e os cereais
fizeram paz e a guerra derrubaram
as distâncias de todos os mares e os
rios e no entanto quando te percorrem
a ti pequena grão de trigo calhandra
não conseguem abarcar - te fatigam
ao agarrar as pombas gémeas que repousam
ou voam no teu peito percorrem a distância
das tuas pernas enrolam -se na luz da tua cintura
para mim tu ès tesouro mais rico de imensidade
do que o mar e os seus cachos e ès branca e azul
e extensa como a terra nas vindimas neste território
desde os pès à fronte andando passará a vida
peço -te amor uma viagem por um escuro
recinto fecha os teus sonhos entra com
o teu céu nos meus olhos estende - te
no meu sangue como num lago rio adeus
cruel claridade que foi caindo no saco de
cada dia do passado adeus a cada raio do
relógio ou laranja salve a sombra intermitente
companheira !
nesta nau ou água ou morte ou uma nova vida
uma vez mais unidos ressuscitados
somos o casamento da noite com
o sangue não sei quem vive ou morre
quem repousa ou desperta
mas è o teu coração que distribui
no meu peito os dons da aurora
em cada dia nasce um homem
em mim sò o itinerário è o mesmo
e isso decerto basta e eu tenho
saudades dos homens que fui
e anseio espero pelos homens que
serei dia após dia me renovo sigo
em frente meus olhos de ontem
não são os mesmos de hoje um mundo morre
outro mundo nasce em cada dia sò o itinerário
è o mesmo isso decerto basta
nem ladrem cães pelas
esquinas não haja bandeiras
somente uma estrela no fundo
de mim e um vento macio
nas ruas
somente haja silêncio
nas cidade morta e suave
me toques e beijes na fronte
para que sò eu saiba que ès
chegada
brava companheira que jamais ao meu lado temeste precipícios ou sombras là no fundo dos teus mares que navio irrompe do teu sexo vindo dos ...