terça-feira, 7 de junho de 2022

Adeus

já gastamos as palavras pelas ruas meu amor

o que nos ficou não chega para afastar o frio

de quatro paredes

gastamos tudo menos o silêncio

gastamos os olhos com o sal das lágrimas

gastamos as mãos a força de as apertarmos

gastamos o relógio e as pedras das esquinas

em esperas inúteis

meto as mãos nas algibeiras e não encontro

nada


antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro

era como se todas as coisas fossem minhas


quanto mais te dava mais tinha para te dar

às vezes tu dizias os teus olhos são peixes


verdes


e eu acreditava

porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis


ma isso era no tempo dos segredos eram no tempo

 em que os meus olhos eram realmente peixes verdes


hoje são apenas os meus olhos è pouco mas è verdade

uns olhos como todos os outros


já gastamos as palavras quando agora digo meu amor

já não se passa absolutamente nada


e no entanto antes das palavras gastas tenho a certeza

que todas as coisas estremeciam sò de murmurar o teu


nome no silêncio do meu coração


não temos já nada  para dar

dentro de ti não há nada que me peça água


è inútil como um trapo

já te disse as palavras estão gastas


Adeus
 

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