quarta-feira, 8 de junho de 2022

pequena elegia de Setembro

não sei como vieste mas deve haver

um caminho para regressar da morte

estás sentada no jardim as mãos no regaço

cheias de doçura os olhos pousados nas

últimas rosas dos calmos dias de Setembro

que musica escutas tão atentamente

que não dàs por mim ?


que bosque ou rio ou mar ?

ou è dentro de ti que canta ainda ?


queria falar contigo dizer - te apenas

que estou aqui


mas tenho medo que toda a musica

cesse e tu não possas mais olhar as rosas


medo de quebrar o fio que tece os dias sem memória

com que palavras ou beijos se acorda os mortos sem


os ferir sem os trazer a esta espuma negra onde os corpos

e corpos se repetem parcimoniosamente no meio de sombras ?


            deixa - me estar assim

                ò cheia de doçura

sentada olhando as rosas e tão alheias


que nem dàs por mim de coração de dia


 

Sem comentários:

Enviar um comentário

ò clara

brava companheira que jamais ao meu lado temeste precipícios ou sombras là no fundo dos teus mares que navio irrompe do teu sexo  vindo dos ...